sábado, 30 de junho de 2012

No mês de Junho

Não sou grande fão do trabalho do Paulo Coelho, li pouca coisa dele, mas esse texto dele sem dúvida me acordou pra algo que eu não havia percebido. Todos temos dificuldade em aceitar certas verdades, temos dificuldade em responder pra nós mesmos certas perguntas, espero que todos que leiam esse conto pensem a respeito, fiquei muito mal depois de uma demissão sem motivo nenhum, de um lugar onde eu mal pude desenvolver o trabalho que tanto queria e gostava, passei dias me perguntando o porque de tudo isso, o mês  praticamente já acabou e eu não só tenho a resposta, mas todo um plano traçado e muita esperança de que dê tudo certo.



Um tradicional conto sufi



Há muitos anos, numa pobre aldeia chinesa, vivia um lavrador com seu filho. Seu único bem material, além da terra e da pequena casa de palha, era um cavalo que havia sido herdado de seu pai. 
Um belo dia, o cavalo fugiu, deixando o homem sem o animal para lavrar a terra. Seus vizinhos - que o respeitavam muito por sua honestidade e diligência - vieram até sua casa para dizer o quanto lamentavam o ocorrido. Ele agradeceu a visita, mas perguntou: 
- Como vocês podem saber que o que ocorreu foi uma desgraça na minha vida? 
Alguém comentou baixinho com um amigo: "ele não quer aceitar a realidade, deixemos que pense o que quiser, desde que não se entristeça com o ocorrido". 
E os vizinhos foram embora, fingindo concordar com o que haviam escutado. 
Uma semana depois, o cavalo retornou ao estábulo, mas não vinha sozinho; trazia uma bela égua como companhia. Ao saber disso, os habitantes da aldeia - alvoroçados, porque só agora entendiam a resposta que o homem lhes havia dado - retornaram à casa do lavrador, para cumprimentá-lo pela sua sorte.

- Você antes tinha apenas um cavalo, e agora possui dois. Parabéns! - disseram. 

- Muito obrigado pela visita e pela solidariedade de vocês - respondeu o lavrador. 

- Mas como vocês podem saber que o que ocorreu é uma benção na minha vida?

Desconcertados, e achando que o homem estava ficando louco, os vizinhos foram embora, comentando no caminho "será que este homem não entende que Deus lhe enviou um presente? "
Passado um mês, o filho do lavrador resolveu domesticar a égua. Mas o animal saltou de maneira inesperada, e o rapaz caiu de mau jeito - quebrando uma perna. 
Os vizinhos retornaram à casa do lavrador - levando presentes para o moço ferido. O prefeito da aldeia, solenemente, apresentou as condolências ao pai, dizendo que todos estavam muito tristes com o que tinha acontecido.
O homem agradeceu a visita e o carinho de todos. Mas perguntou:

- Como vocês podem saber se o que ocorreu foi uma desgraça na minha vida?

Esta frase deixou a todos estupefatos, pois ninguém pode ter a menor dúvida que um acidente com um filho é uma verdadeira tragédia. Ao saírem da casa do lavrador, diziam uns aos outros: "o homem enlouqueceu mesmo; seu único filho pode ficar coxo para sempre, e ele ainda tem dúvidas se o que ocorreu é uma desgraça". Alguns meses transcorreram, e o Japão declarou guerra contra a China. Os emissários do imperador percorreram todo o país, em busca de jovens saudáveis para serem enviados à frente de batalha. Ao chegarem na aldeia, recrutaram todos os rapazes, exceto o filho do lavrador, que estava com uma perna quebrada.
Nenhum dos rapazes retornou vivo. O filho se recuperou, os dois animais deram crias que foram vendidas e renderam um bom dinheiro. O lavrador passou a visitar seus vizinhos para consolá-los e ajudá-los - já que tinham se mostrados solidários com ele em todos os momentos.  Sempre que algum deles se queixava, o lavrador dizia: "como sabe se isso é uma desgraça?" Se alguém se alegrava muito, ele perguntava: "Como sabe se isso é uma benção?" E os homens daquela aldeia entenderam que, além das aparências, a vida tem outros significados.   

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